Arquivo diário: 21/03/2018

Aqui um guia esclarecedor de mitos e verdades sobre a cultura da Rússia

Mulheres russas são interesseiras, vodca é a bebida mais popular do país, todos os russos são gênios em matemática e dizem “na zdorôvie” quando brindam. Sim? Não? Talvez? Descubra aqui!

1. Ivan é o nome mais popular da Rússia

Em primeiro lugar, o nome não é russo. Na verdade, ele é uma versão eslava oriental de um antigo nome judeu. Entre 2010 e 2016, o nome Ivan foi o sexto da lista de nomes masculinos mais populares do país.

Outros nomes que encabeçaram a lista foram Aleksandr, Serguêi e Dmítri. Quanto aos nomes femininos, o mais popular não é Natasha, como era de se esperar, e sim Elena, seguido de Olga. Natália (de onde vem Natasha, seu diminutivo) fica em terceiro lugar.

2. Cerveja não é bebida alcoólica na Rússia

Esta certamente agradaria muitos, mas não é verdade. A confusão vem de 2011, quando o governo russo classificou a cerveja como bebida alcoólica (no sentido de que é proibido bebê-la na rua, no transporte público etc.). Mas isto não significa que ela já não fosse bebida alcoólica, ela sempre foi!

De acordo com as leis locais, toda bebida com teor alcoólico superior a 0,5 por cento é classificada como alcoólica. Isto elimina o “kvass” e o “kefir”, que contêm menos de 0,5 por cento de álcool.

3. Os russos se chamam de “camaradas”

“Tovarisch” (“camarada”) foi uma palavra cunhada pelos bolcheviques para substituir os modeos pré-revolucionários de se dirigir às pessoas (“gospodín”, senhor, e “gospojá”, senhora). Também pode-se dizer “tovarisch” a mulheres, mas isto não é mais usado no discurso coloquial. E, se você ouvir algo assim, normalmente, quando proferido, o termo tem um quê de ironia.

4. Todos os russos vestem chapéus do tipo “uchánka”. E cintos militares. E “valenki”. E “lápti”. E uma camisa tradicional russa.

Na Rússia, não existe uma única “roupa tradicional”. A nação é composta por muitas etnias e culturas, e as vestimentas tradicionais variam muito de região para região, de povo para povo. A “uchánka”, claro, ainda é um grande trunfo do inverno, mas era ainda mais popular nos tempos soviéticos.

Quando a indústria da moda era estatal, este tipo de gorro com orelhas era produzido seguindo os planos do governo. Hoje, a maior parte das pessoas prefere gorros tricotados, já que vestir uma “uchánka” quando faz mais de 15 graus Celsius negativos é quente demais – para os russos, pelo menos!

Os cintos militares foram muito populares durante os tempos soviéticos, quando era difícil conseguir um cinto decente. Os homens os usavam frequentemente porque ganhavam como parte do uniforme militar.

Já as botas de feltro russas “valênki” são uma ótima saída para uma vila onde neva muito ou um passeio na floresta, mas elas ficam muito sujas quando a neve derrete ou no inverno urbano. Pouquíssimos russos têm “valênki” na cidade, mas eles normalmente as mantêm em suas “dátchas” (casas de campo).

Enquanto isso, o “lápot” (no plural, “lápti”), ou seja, sapatos de fibra, estão quase completamente fora de uso em qualquer ocasião.

5. Todos os russos são comunistas

O comunismo foi a ideologia estatal dos tempos soviéticos, e uma pessoa podia enfrentar um baita problema por ir contra ela. Na era Stálin, quem se opunha ao comunismo era preso ou executado. Após 1991, a ideologia foi descartada, e poucas pessoas hoje acreditam nas ideias comunistas, apesar de elas gozarem de certa popularidade entre pessoas mais velhas.

O Partido Comunista da Federação da Rússia tem apenas 160.000 membros, mas tem tidp deputados em todas as sessões da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia) desde 1994.

6. É muito frio na Rússia e neva o ano inteiro

A Rússia tem quatro zonas climáticas, com temperaturas que vão os 41 graus Celsius negativos, em Iakútsk, aos 41 graus Celsius positivos, em Ástrakhan. Assim, os russos experimentam todos os tipos de climas e temperaturas.

Mas, sim, na maior parte da Rússia, o inverno é longo e dura de cinco a seis meses por ano. As cidades grandes, porém, tendem a ser mais quentes, e seus habitantes encontram mais lama que neve no inverno.

E, sim, há verão na Rússia – e ele pode ser sufocante, de tão quente -, mesmo na Sibéria!

7. Os russos podem entender e falar outras línguas eslavas como o polonês, tcheco, búlgaro, ucraniano etc.

Para um ouvido ocidental, as línguas eslavas podem parecer todas a mesma coisa por pertencerem ao mesmo grupo linguístico. Mas, apesar de haver similaridades, ainda há diferenças significativas na gramática e no vocabulário.

Muitos russos podem entender um pouco de ucraniano falado, mas aprender polonês, tcheco, búlgaro ou sérvio é um grande desafio para um russo.

8. A Rússia é pobre

A Rússia não é considerada um país pobre, mas os russos têm tido dificuldades em sobreviver. Mesmo assim, as coisas não são tão ruins assim. No ranking de países por PIB, a Rússia está em 12° lugar, e o país tem mais de 180.000 milionários (em dólares).

A Rússia, entretanto, tem a maior desigualdade de renda do mundo. De acordo com a Câmara de Contabilidade do país, em 2017 mais de 22 milhões de pessoas (cerca de 15%) estão vivendo abaixo da linha da pobreza, e dessas quase cinco milhões ganham menos de US$ 1,6 mil anuais (cerca de R$ 5.000, ou seja, R$ 400 ao mês).

9. Os mercados russos têm as prateleiras vazias

A Rússia é grande e suas condições econômicas variam de região para região, mas foi há mais de 20 anos que os mercados estiveram vazios. Em Moscou, São Petersburgo e outras grandes áreas urbanas é possível encontrar até mesmo o tipo de mercado gourmet que tem se popularizado pelo mundo com cortes especiais de carnes caríssimas, bebidas dos quatro cantos do mundo etc.

Já alimentos frescos e outros produtos alimentícios estão disponíveis em feiras livres em todas as cidades. Pergunte a um habitante local.

10. O russo médio tem problemas com a lei e laços estreitos com a máfia

A máfia russa é um componente muito comum em filmes de Hollywood, mas, na realidade, os russos a veem cada vez menos. Depois dos turbulentos anos 1990, a maioria dos mafiosos ou foi presa ou morta, e é muito raro ouvir um tiro pelas ruas do país.

Na contramão do estereótipo, quase um milhão de russos serve à polícia, que tem o terceiro maior contingente do mundo (atrás apenas da China e da Índia), e que representa a maior porcentagem de policiais per capita do mundo (623 policiais para cada 100.000 cidadãos).

Muitos russos, porém, têm “problemas com a lei” em pagamentos atrasados ou multas por infrações de trânsito.

11. Os russos dizem “na zdorôvie” quando brindam

De jeito nenhum! Na verdade, dizer isso vai atormentar qualquer russo irritado com estereótipos. É ridículo dizer “na zdorôvie” em um brinde porque a frase é usada, geralmente, em resposta a alguém que lhe diga “spassíbo” (obrigado), significando algo como “de nada”.

Ao brindar, os russos costumam dizer “za zdorôvie!” (“à saúde!”), mas isto tem se tornado cada vez mais formal atualmente. Brindes informais são acompanhados de “davái!” (“vamos lá!”), “poiêkhali” (“fomos!”) e até o “vzdrognem!” soviético (“vamos estremecer!”).

12. Ursos nas ruas

Pode não ser tão incomum ver um urso ou alce perambulando por uma aldeia remota na Rússia, mas os ursos não andam pelas ruas – eles seriam rapidamente acertados com dados tranquilizantes pela polícia. De qualquer maneira, uma família russa mantém um urso como animal de estimação.

13. Alma russa é misteriosa

Ninguém na Rússia entende completamente o que é a misteriosa alma russa. O conceito foi criado por escritores do século 19 como Tolstói e Dostoiévski, que exploraram o mistério da ética e do estilo de vida russo em seus romances psicológicos.

A ideia de uma “alma russa” diz que os russos têm seu modo exclusivo de viver, alternativo ao do mundo ocidental. Em tempos soviéticos, o conceito não tinha lugar no modo comunista de ver o mundo, mas após a Perestroika, foi reintroduzido com a necessidade de se criar uma identidade nacional.

A raiz da ideia é que, apesar de influenciado tanto por valores ocidentais, como por orientais, a Rússia sempre escolheu uma “terceira via” própria.

14. Todos os russos estão sob vigilância da KGB

A KGB não existe mais. Hoje, o FSB (da sigla em russo, Serviço de Segurança Federal) herdou as funções da KGB. Desde a era soviética, há rumores de que se você disser palavras como “bomba” ou “explodir” ao telefone, a polícia começa a gravar sua conversa. Mas é apenas lenda.

Com tecnologia moderna – rastreamento de endereço IP, câmeras de rua e de tráfego – a vigilância nunca foi tão fácil. Mas seria necessário fazer algo realmente muito ameaçador para chamar atenção seriamente das autoridades, simplesmente pelo fato de que a vigilância é cara. Uma pessoa sob vigilância normalmente tem conexões com atividades terroristas, e aí é muito monitorada mesmo.

Além disso, muitos ex-oficiais da KGB têm papéis de peso na política russa. Vide o presidente do país.

15. Os russos amam passar as férias em suas “dátchas”

“Amor” é uma palavra bastante forte. Os principais motivos para ir à “dátcha” (casa de campo) têm sido bem práticos. A partir da década de 1950, as “dátchas” se tornaram uma fonte de comida e de renda extra para muitos russos, que cultivavam ali verduras e vendiam em mercados locais. Além disso, nos finais de semana a família inteira costumava passar o tempo na “dátcha”, cultivando o jardim e descansando.

Até hoje, com a queda do hábito de trabalhar na “dátcha”, a maior parte dos russos adora passar o tempo no interior. As gerações mais novas, porém, geralmente não têm experiência alguma em cultivar um jardim.

16. As estradas russas são horríveis

De acordo com o projeto sem fins lucrativos Autostrada.Info (em russo), as estradas do país são uma… salada russa! Apenas 47% das estradas federais, 39% das estradas de conexão e 39% das regionais são consideradas “boas” pelos motoristas; 47%, 43% e 39%, respectivamente, são “passáveis”; e 5%, 18% e 22%, respectivamente, são classificadas como “ruins”.

Pelos números, é impossível ir a qualquer lugar no país sem passar por estradas ruins, que os motoristas chamam de “campos de teste de tanques”, porque a buraqueira só seria possível de ser atravessada em um tanque, em teoria.

As estradas ruins se devem, em grande parte, ao trabalho incessante de construção pelo país, com caminhões pesados passando o tempo todo. Além disso, o sistema de construção de estradas parece ainda não ter a devida supervisão.

Os defeitos em estradas continuam a ser a principal causa de acidentes de trânsito, mas a situação tem melhorado com o trabalho de projetos sem fins lucrativos como o RosYama (em russo), que ajudam as pessoas a fazerem reclamações oficiais sobre estradas ruins.

17. Os russos são extremamente supersticiosos

Se você quiser testar, tente assobiar dentro da casa de um amigo russo ou até mesmo presentear alguém com um número par de flores. Não fique ofendido com os olhares que receberá!

Os russos são muito supersticiosos, e eles se sentarão um pouco antes de uma viagem longa ou se olharão no espelho se tiverem que voltar de repente para casa por terem esquecido de algo.

Isto se deve aos mitos pagãos da Rússia pré-revolucionária, que existiam em toda aldeia e caminhavam lado a lado com padres ortodoxos, que encorajavam essas crenças supersticiosas.

18. Todos os motoristas russos têm dashcams

Como você deve ter visto pelo YouTube, isso é verdade. Na Rússia, as dashcams são normalmente sua única prova de que foi o outro motorista, e não você, quem causou um acidente.

Além disso, elas ajudam a capturar momentos muito engraçados nas vias.

19. As mulheres russas são belas, manipuladoras e só gostam de dinheiro

As chances de ver uma russa sem maquiagem são minúsculas – a não ser que seja de manhã e você seja marido dela. Mas cada vez mais as russas estão se adaptando a maquiagens leves europeias, apesar de o costume de se maquiar continuar a ser cultivado desde muito cedo, ou seja, ainda em idade escolar. Vestir as melhores roupinhas até para ir comprar uma lata de molho de tomate também rola. Isso acontece, segundo elas, “porque você nunca sabe quando encontrará seu destino”.

Quanto ao estereótipo de serem manipuladoras ou interesseiras, as russas podem ser bem diferentes. Em geral elas esperam o príncipe encantado e acreditam no amor. E se uma delas realmente o amar, ela fará vista grossa para qualquer defeito.

Ganhar o coração de uma moça russa nunca é fácil (mas pode ser menos difícil com nosso guia), e isso tem pouco a ver com sua conta bancária.

20. Os russos são mal-humorados, maus e cruéis

Sim, ainda acontece de gritarem com você em lojas de departamentos, guichês de metrô e supermercados em toda cidade russa. No trabalho, seus colegas normalmente irão te ignorar em resposta a seu “bom, tudo bem com você?”.

Para um estrangeiro, isso pode parecer ofensivo, mas o mau humor é uma coisa diária para os russos, e eles não pensam muito nisso. Em lojas e mercados, a má educação ainda é um hábito, herança do tempo em que todos os serviços públicos eram financiados pelo governo. Então, os atendentes não precisavam ser gentis com os clientes porque não havia concorrência comercial – você não tinha para onde ir.

Na comunicação comum, ainda é considerado algo falso ser educado e amigável quando você não está se sentindo bem, está desapontado ou com raiva. E, para os russos, a falta de sinceridade não pode ser confiável.

Você ficará surpreso também com como a mulher mal-humorada da loja pode, de repente, transformar-se com apenas algumas palavras bacanas que dirigir a ela. Ou não. Bom, o dia dela está uma droga, você não está vendo?

21. Os russos fumam muito

Em 2012, a Rússia estava no segundo lugar no ranking mundial de países onde mais se fuma, mas desde que se proibiu o fumo em locais públicos, inclusive bares e cafés, em 2013, o número de fumantes tem caído significativamente. Antes da proibição, estima-se que 39% dos adultos russos fumassem regularmente.

Um estudo recente realizado pelo Ministério da Saúde da Rússia mostrou que esses indicadores caíram para 30%. Os legisladores estão buscando agora proibir o fumo em apartamentos compartilhados, carros (na presença de crianças) etc.

Mas os russos ainda fumam muito, tanto homens quanto mulheres, e frequentemente são multados por fumar próximo a entradas de metrô, estações de trem e parquinhos. Aqueles que não fumam regularmente costumam fazê-lo enquanto bebem, mas ainda se consideram não fumantes.

22. Os russos são grandes hackers (porque são bons em matemática)

É verdade que a Rússia é pátria de muitos grandes matemáticos, de Lobatchevski (cujas descobertas possibilitaram a viagem ao espaço) a Grigóri Perelman, recentemente laureado com a Fields Medal.

Isso não significa que todo russo possa fazer multiplicações de quatro dígitos, mas no colegial os russos aprendem uma matemática bem complicada. Os estudantes russos frequentemente terminam competições internacionais de matemática e programação com notas de destaque. Além disso, a maioria das escolas russas inclui ciências da computação entre suas matérias principais, a base do saber russo em programação.

Após a queda da União Soviética (e das pesquisas matemáticas financiadas pelo Estado), muitos matemáticos talentosos ficaram desempregados e se voltaram à área de TI, que estava ganhando espaço.

Mas hoje a maior parte dos programadores são adolescentes que começaram a programar durante a infância, e a profissão goza de prestígio no país.

23. Os russos não sabem economizar

Você já viu um russo esbanjando em uma festa? Ele deve ser muito rico mesmo! Na verdade, não, passou longe! Gastar muito é um sinal de status na Rússia, e a maior parte das pessoas quer parecer ter uma posição melhor do que realmente tem.

Na Rússia tsarista, um comerciante não era considerado rico se ele não pudesse perder facilmente metade de sua fortuna nas cartas ou doar os rendimentos de um ano para a Igreja.

A parcimônia nunca foi virtude na Rússia (exceto para os Velhos Crentes). Na era soviética, havia ainda outro motivo: o sistema monetário russo viu tantas reformas que a maior parte das pessoas acreditava ser muito arriscado guardar dinheiro, porque ele poderia perder o valor de repente, em questão de dias.

24. A corrupção na Rússia é desenfreada

De acordo com um estudo da Transparência Internacional, quase 34% das famílias na Rússia precisavam pagar propinas para receber acesso a serviços básicos em 2016. Isto é o quádruplo da média na União Europeia (9%).

Uma pesquisa conduzida pela PWC revelou que quase um terço dos entrevistados em cargos gerenciais de chefia tiveram que lidar com corrupção e suborno em seus negócios em 2016. A propina é listada como uma das ameaças mais críticas para o desenvolvimento de um negócio na Rússia.

Recentemente, houve um aumento em casos criminais relacionados a corrupção, com oficiais que ocupam altos cargos e até chefes de ministérios acusados de suborno.

Os cidadãos comuns, apesar de condenar a corrupção, ainda recorrem à propina para conseguir suprir necessidades básicas como saúde, moradia etc. A corrupção ainda é um grande obstáculo, como sempre foi, na história da Rússia.

25. Os russos bebem muita vodca

Em 2017, a Rússia ficou em sexto lugar no ranking mundial de países que mais bebem, com os homens consumindo 15,1 litros e as mulheres, 7,8 litros de álcool por ano. Mas não é só uma questão de quantidade, já que beber é um hábito cultural na Rússia desde o século 17.

Na Rússia, ainda é considerado estranho alguém ser abstêmio. Normalmente, uma pessoa deve tomar pelo menos um copo ou dois em casamentos, festas de final de ano, aniversários etc.

Beber vodca não é algo obrigatório, mas em determinadas condições uma dose de destilados fortes ajuda. Em rituais adolescentes masculinos, beber vodca é visto com um tipo de iniciação e maioridade.

Em círculos empresariais, beber pesadamente é sinal de que você é confiável, já que solta a língua depois de uma ou duas garrafas (esta tradição remonta à era imperial, quando os comerciantes costumavam beber bastante para processar aos poucos um bom negócio).

Mais recentemente, porém, o hábito de beber pesado está decaindo com a popularidade de um estilo de vida saudável. Além disso, a vodca não é um componente obrigatório mais: whisky, tequila e outros destilados ganham popularidade.

26. A Rússia é cheia de bábuchkas

De acordo com dados do Comitê Estatal de Estatísticas, há muito mais mulheres que homens nas camadas mais velhas da população. Para a faixa etária dos 65 aos 69 anos de idade, há 1,5 vezes mais mulheres, e para pessoas acima dos 80 anos, as mulheres são o triplo dos homens.

Historicamente, isto ainda é influência do desastre demográfico causado pela Segunda Guerra Mundial. Assim, as bábuchkas prevalecem.

Uma bábuchka (do russo, “vovó”) senta em casa esperando os netos chegarem e cozinha um milhão de coisas para eles, conta velhas histórias e está sempre preocupada se os netos colocaram ou não chapéu no frio.

O círculo social de uma bábuchka é composto por outras bábuchkas, com quem ela vai passear, compartilha truques de cozinha e discute sobre os boatos da vizinhança.

27. O chá é a verdadeira bebida nacional russa

Uma porcentagem estonteante de 94% dos russos bebe chá regularmente. Em média, um russo bebe três xícaras de chá por dia, enquanto quase 10% bebem mais de seis xícaras de chá diariamente.

O hábito não é novo: em 1903, Antón Tchékhov escreveu em sua história “A noiva”: “Ele bebia o chá demoradamente, ao estilo de Moscou, sete copos ou algo equiparável seguidos”.

A cerimônia do chá russo é simples, porque não há nenhuma! O chá é oferecido em qualquer reunião familiar, conferência científica etc. Hoje, os russos encaram cada vez mais chás verdes ou de ervas, mas quase 86% ainda preferem chá preto.

28. Os engarrafamentos russos são horríveis

Desde 2016, Moscou ocupa segundo lugar no ranking de piores engarrafamentos do mundo. Em média, um motorista moscovita gasta 91 horas por ano em engarrafamentos (Los Angeles lidera o ranking, com 104 horas anuais).

Na Europa, Moscou é líder disparado de engarrafamentos. Samara, São Petersburgo, Krasnoiársk, Ufá, Vorônej e outras grandes cidades também estão cheias de engarrafamentos, e a situação só piora. Há muitas razões para isto: das condições terríveis das estradas à organização irracional de intersecções e má condução dos motoristas.

Recentemente, tem sido mais difícil conseguir uma carta de motorista na Rússia. As provas são mais severas e é quase impossível na atualidade comprá-la ilegalmente, mas ainda há muito pé de breque atrás do volante!

Os eslavos antigos acreditavam na vida após a morte e também na reencarnação

Ao contrário dos cristãos, não havia noção de céu e inferno – todos iam para o mesmo lugar. Povos antigos acreditavam também em reencarnação.

O que acontece ao morrer? As tribos antigas que viviam no território da atual Rússia tinham suas próprias respostas para essas eternas questões da existência humana.

Atravessando o rio fedido

Os eslavos antigos acreditavam que o mundo dos mortos estava protegido contra o mundo dos seres humanos por um rio místico chamado Smorodina. Essa versão menos famosa do rio Estige também formava uma fronteira entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, segundo o conceito eslavo de vida após a morte.

Em vez de Caronte, o barqueiro do Hades que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige, os eslavos antigos não tinham quem os guiasse e confiavam em outros meios para encontrar o caminho para o mundo dos mortos.

Os eslavos antigos cremavam os mortos apenas ao anoitecer. Eles acreditavam que, como o pôr-do-sol viajava para o mundo dos mortos, as almas o seguiriam e chegariam ao destino sem dar uma volta errada e se perder.

Segundo eles, o rio Smorodina emitia um cheiro fedido e forte que era repulsivo para os seres humanos. Daí o nome do rio, que significa “fedor” (smrad).

A única maneira pela qual uma alma podia atravessar o rio era através de uma ponte simbólica, a Kalinov. Os eslavos antigos achavam que a ponte reluzia no calor, porque o “rio fedido” também queimava em chamas. Para complicar a passagem entre os mundos, uma besta temida, o Chudo-Yudo vivia na ponte Kalinov.

Mundos paralelos e reencarnação

Embora a passagem para o mundo dos mortos aterrorizasse os eslavos antigos com todos os seus perigos, a imagem em relação à passagem era positiva.

Os membros das tribos acreditavam que os mortos deixavam a dimensão humana para depois retornar no futuro, embora no corpo de uma pessoa diferente.

Os eslavos chamavam o mundo dos humanos de Iav’(traduz-se como ‘realidade visível’), que era considerado o mundo material, uma dimensão onde os humanos existem, juntamente com tudo o que os rodeia.

Quando um homem morria, sua alma deixava Yav’ e viajava para um mundo paralelo conhecido como Nav’. Ao contrário da tradição cristã, os eslavos antigos não faziam distinção entre céu e inferno – todos iam para Nav’ (que se traduz como ‘morto’), o único lugar para onde uma alma poderia ir e onde outras criaturas também residiam.

O último elemento dessa imagem de universo era conhecido como Prav’, uma dimensão ocupada por deuses. Alguns seres humanos também tinham a chance de entrar no Prav’, mas desde que tivessem levado uma vida justa.

Ainda assim, a crença dos eslavos antigos não se limitava a uma determinada dimensão, fosse Yav’, Nav’ ou Prav’. Para eles, as almas dos mortos encontrariam seu caminho de volta à Terra no corpo de um descendente ou animal.

%d blogueiros gostam disto: