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Os eslavos antigos acreditavam na vida após a morte e também na reencarnação

Ao contrário dos cristãos, não havia noção de céu e inferno – todos iam para o mesmo lugar. Povos antigos acreditavam também em reencarnação.

O que acontece ao morrer? As tribos antigas que viviam no território da atual Rússia tinham suas próprias respostas para essas eternas questões da existência humana.

Atravessando o rio fedido

Os eslavos antigos acreditavam que o mundo dos mortos estava protegido contra o mundo dos seres humanos por um rio místico chamado Smorodina. Essa versão menos famosa do rio Estige também formava uma fronteira entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, segundo o conceito eslavo de vida após a morte.

Em vez de Caronte, o barqueiro do Hades que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige, os eslavos antigos não tinham quem os guiasse e confiavam em outros meios para encontrar o caminho para o mundo dos mortos.

Os eslavos antigos cremavam os mortos apenas ao anoitecer. Eles acreditavam que, como o pôr-do-sol viajava para o mundo dos mortos, as almas o seguiriam e chegariam ao destino sem dar uma volta errada e se perder.

Segundo eles, o rio Smorodina emitia um cheiro fedido e forte que era repulsivo para os seres humanos. Daí o nome do rio, que significa “fedor” (smrad).

A única maneira pela qual uma alma podia atravessar o rio era através de uma ponte simbólica, a Kalinov. Os eslavos antigos achavam que a ponte reluzia no calor, porque o “rio fedido” também queimava em chamas. Para complicar a passagem entre os mundos, uma besta temida, o Chudo-Yudo vivia na ponte Kalinov.

Mundos paralelos e reencarnação

Embora a passagem para o mundo dos mortos aterrorizasse os eslavos antigos com todos os seus perigos, a imagem em relação à passagem era positiva.

Os membros das tribos acreditavam que os mortos deixavam a dimensão humana para depois retornar no futuro, embora no corpo de uma pessoa diferente.

Os eslavos chamavam o mundo dos humanos de Iav’(traduz-se como ‘realidade visível’), que era considerado o mundo material, uma dimensão onde os humanos existem, juntamente com tudo o que os rodeia.

Quando um homem morria, sua alma deixava Yav’ e viajava para um mundo paralelo conhecido como Nav’. Ao contrário da tradição cristã, os eslavos antigos não faziam distinção entre céu e inferno – todos iam para Nav’ (que se traduz como ‘morto’), o único lugar para onde uma alma poderia ir e onde outras criaturas também residiam.

O último elemento dessa imagem de universo era conhecido como Prav’, uma dimensão ocupada por deuses. Alguns seres humanos também tinham a chance de entrar no Prav’, mas desde que tivessem levado uma vida justa.

Ainda assim, a crença dos eslavos antigos não se limitava a uma determinada dimensão, fosse Yav’, Nav’ ou Prav’. Para eles, as almas dos mortos encontrariam seu caminho de volta à Terra no corpo de um descendente ou animal.

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